Secretários de Estado, autarcas, população e alunos em simulacro no Piódão

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O som do sino da aldeia do Piódão, foi o mote para o exercício/simulacro de evacuação que ocorreu no núcleo desta aldeia e que contou com a participação não só da população como de alguns alunos da Escola Secundária de Arganil que simularam que se encontravam numa visita de estudo. Entidades oficiais também integraram o simulacro, como foi o caso dos três Secretários de Estado presentes, nomeadamente da Protecção Civil, José Artur Neves, da Educação, João Costa e do Turismo, Ana Mendes Godinho, bem como o presidente do município de Arganil, Luís Paulo Costa e o presidente da Junta de Freguesia do Piódão, José da Conceição Lopes. O simulacro ocorreu no âmbito dos programas, “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras”, que têm sido desenvolvidos, no caso do distrito de Coimbra pelo CDOS em parceria com as autarquias locais. Com efeito, Carlos Tavares, apresentou ontem os dois programas no hotel do Inatel e contou com sala cheia. O programa “Aldeia Segura”, explicou, é “um programa de protecção de aglomerados populacionais e de protecção florestal, destinado a estabelecer medidas estruturais para a protecção de pessoas e bens” enquanto que o programa “Pessoas Seguras”, acrescentou, destina-se “a promover acções de sensibilização para a prevenção de comportamentos de risco, medidas de autoprotecção, realização de simulacros e planos de evacuação”. O comandante distrital de operações de socorro de Coimbra sublinhou que “o papel dos cidadãos é importantíssimo”, acrescentando que, por isso, “importa conseguir implementar uma cultura de segurança no cidadão”. “Para mobilizar os cidadãos, foram criados os oficiais de segurança local, um indivíduo fundamental para assegurar o envolvimento da comunidade”, explicou, frisando que “este oficial é um líder que conseguirá juntar as suas gentes e levá-las para um local seguro”. Além disso, acrescentou, “depois de serem identificados os aglomerados críticos e de serem implementados faixas de protecção e mecanismos de aviso à população, é necessária a sinalização e identificação dos locais de abrigo ou refúgio”, dando a conhecer que no Piódão, estes locais já estão identificados. De acordo com o dirigente “o papel da comunidade escolar é fundamental”, pelo que, acrescentou, “a primeira parte do nosso programa é direcionada aos nossos alunos”, uma vez que, sustentou, “são eles os responsáveis por difundir a tal cultura de segurança aos cidadãos”, já que “vão transmitir aos pais, familiares e vizinhos a necessidade e a importância deste programa na proteção das pessoas e dos seus bens”. Por fim, Carlos Tavares anunciou que “temos um guia onde aprendemos a sair se estivermos próximos de um incêndio”, apresentando um kit de evacuação, que ofereceu ao presidente da Câmara Municipal de Arganil e ao presidente da Junta de Freguesia do Piódão. Após a intervenção de Anabela Soares, directora do Agrupamento de Escolas de Arganil, coube aos alunos do 9.º ano da EB 2 e 3 de Coja apresentarem um projecto intitulado “Feel Rural”, que consiste na criação de um novo sistema de captação de água dos rios e ribeiras, para utilizar na agricultura, sem recorrer à energia eléctrica ou ao combustível. Agradecendo a presença dos Secretários de Estado, Luís Paulo Costa, esclareceu que este simulacro foi feito no Piódão porque se trata de “uma freguesia prioritária, sinalizada pela Autoridade Nacional de Protecção Civil, no âmbito da defesa da floresta contra incêndios, em 2018”. Recordando que esta é “uma freguesia turística por excelência”, o edil anunciou que no que respeita às faixas de protecção, está a ser desenvolvida uma “experiência” no Piódão que é a “introdução de rebanhos”, garantindo que até ao momento “este projeto piloto tem dados bons frutos e queremos replicá-lo”. Por seu lado, o secretário de Estado da Protecção Civil referiu que “temos de transmitir conhecimentos aos cidadãos para que se protejam”, adiantando que “queremos disseminar este conhecimento às 1049 freguesias em risco”. Lembrando que “este trabalho está a ser desenvolvido desde o início de Outubro”, José Artur Neves, garantiu que “estamos junto das escolas do país”, uma vez que, alegou, “os alunos são o melhor veículo para se comunicar o modo como se devem comportar”. Entretanto, anunciou, “neste processo preventivo, vai ser enviada uma mensagem para os distritos em risco”, isto é, “todas as populações vão ser avisadas, por mensagem de telemóvel, em Português e em Inglês, para que todos tenham conhecimento do risco que podem correr”. João Costa anunciou que “estamos a reintroduzir a área da cidadania nos currículos e a promover um trabalho interdisciplinar”, já que, sustentou, “a escola serve para ajudar a saber fazer, a agir”. Tendo em conta que na óptica do secretário de Estado da Educação “estamos “num país cujos cidadãos não estão preparados para prevenir tragédias, compete à escola promover a cidadania”, razão pela qual, revelou, “inscrevemos a área de educação para o risco e de educação ambiental como obrigatórias no currículo, a partir do próximo ano”.

Isabel Duarte