Região

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O Concelho de Arganil, no Distrito de Coimbra, situa-se na Beira Serra, inserida numa região predominantemente montanhosa (entre as Serras da Lousã e da Estrela).

Concelho essencialmente agrícola, on de se produz, principalmente, milho, batata, azeite e vinho. A árvore denominante é o pinheiro. Esta floresta permite a indústria de resinagem, a serração, a carpintaria e a indústria de móveis. É também importante a cerâmica. Do ponto de vista económico, as actividades mais importantes são a indústria têxtil, a marcenaria e a cerâmica, que empregam a maior parte dos habitantes. Regista-se um aumento significativo dos Serviços.

Os invernos são chuvosos, acumulando-se nuvens de nevoeiro nesta zona. Esta situação provoca baixas temperaturas quer no ar quer no solo e a humildade aumenta.
Em Janeiro e Fevereiro as geadas raramente desaparecem. No verão as temperaturas são elevadas.

Segundo a tradição, Arganil foi em tempos uma cidade romana denominada Argos. A povoação foi doada pela rainha D. Teresa ao bispado de Coimbra, que lhe outorgou foral em 1114, passando a ser seu titular o conde de Arganil.

E é ainda a História que marca a paisagem em S. Pedro, lugar que deve o seu nome à capela que desde os finais do século XIII nos conduzia a Marinha Afonso, descendente de Afonso pires, nomeado como sendo Senhor de Arganil em 1219. Dª Marinha e seu marido, D. Fernando Rodrigues Redondo mandaram edificar os Paços de Arganil e esta capela que continua a ter S. Pedro como orago.

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E a história poderá continuar pelas palavras do Padre A. Carvalho da Costa porque “…tem esta villa pessoas nobres do appellido Azevedo, Ferráz, Ficueyredo, Mello, Fonseca. Quaresma, Mendes, Bulhoens & Tavoras…” e deles nos ficam Capelas, como a capela dos Mello na Matriz de Arganil que foi mandada edificar por Pedro Fonseca, Capitão Mor da Vila de Arganil e Administrador da minas de Ouro de Folques e cuja descendência se haveria de unir aos Melos Freires de Bulhões. Ou a capela que a Marquesa de Pomares mandou edificar na Igreja da dita Vila e que terá sido concluída no dia do Espírito Santo do já remoto ano de 1694. Ou a Capela dos Cunhas de Pombeiro da beira, Senhores poderosos que muitos serviços haviam prestado a Afonso IV, e que se haveriam de ligar aos Castelos-Brancos que assim vieram a ter o título de Senhores de Pombeiro.

E em Arganil são ainda as Capelas do senhor da Agonia, do Senhor da ladeira, da Santíssima Trindade e da Nossa Senhora do Mont’ Alto que fundem a história coma devoção das gentes.

No final do verão quando em setembro chega, a senhora do Mont’ Alto continua a ser lugar de devoção. Mas há também a Festa. E as bandas de música. E o bem comer. Porque em Arganil os enchidos, o arroz de miúdos à moda de Folques, o cabrito assado acompanhado de grelos fresquinhos, o pão caseiro e a tigelada que provalvelmente terá sido criada no século XVII no Mosteiro de Folques, continuam a alegrar os nossos dias, não esquecendo o Bucho, que viu recentemente criada a sua primeira Confraria (do bucho de Portugal)

Se em Arganil o que primeiro impressiona é a sua paisagem, a história não lhe fica atrás. Antiga de milénios como testemunha a necrópole megalítica da Lomba do Canho que uma guarnição Romana ocupou muitos séculos depois.Milenar quando falamos do Mosteiro de Arganil que, com segurança sabemos, existia em 1086, e que terá sido transferido para a Mata de Folques por volta de 1100, há notícia de muito peregrinos em Folques. A imagem que dele hoje temos, datada de quatrocentos testemunha o poder desta devoção.

Mas em Arganil a vida monacal não existiu apenas em Folques. O Convento de Santo António de Vila Cova de Alva foi solenemente inaugurado em 1723 e durante cerca de cento e vinte anos foram as suas paredes testemunha da pobreza dos Franciscanos. A Extinção das Ordens Religiosas levou-o para mãos particulares e o tempo e o gosto trouxeram-lhe irremediáveis alterações mas lá continua, nobre e severo a marcar a paisagem.

Em Arganil a Serra do Açor, do alto dos seus 1349 metros deslumbra-nos os olhos. Serra acima, a paisagem deixa-se descobrir generosamente.

Os socalcos mostram o saber e o engenho fa gente. A água corre em levadas e quando o calor aperta a sua partilha obedece ainda a regras de antanho.

Depois, já em plena Zona de Paisagem Protegida, é a Mata da Margaraça – classificada como Reserva Biogenética – que impressiona.

Por entre exemplares da primitiva floresta caducifólia há ainda a delicadeza de Lírio Matagão, a imperial surpresa do Selo de Salomão e, quando o frio aperta, os Azevinhos continuam a enfeitar-se de vermelho. Mais acima, nos solos quase esqueléticos, vivem urzes e giestas que, mal a primavera chega, cobrem a Serra de rosa e lilás. O panorama é deslumbrante.

Depois a surpresa chama-se Piódão. Por entre curvas as casas de xisto, que parecem estar em precário equilíbrio, desenham um quadro surpreendente. E no Piódão, o défalo de ruas de xisto, os detalhes das portas, ou essa cor de bom augúrio herdada provavelmente de um velho costume árabe que em azul marca os contornos de portas e janelas, compõe uma quase perfeita sinfonia.

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