Carta de um Cojense “acintosa” e “desagradável”, indigna Eugénio Frois

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FroisUma missiva enviada por um Cojense, Alberto Carvalho Tavares, ao presidente da Assembleia Municipal de Arganil, deixou indignado Eugénio Frois, que não perdeu a oportunidade de o demonstrar na última reunião daquele órgão. “Uma carta onde sou visado, assinada por um Cojense, que diz que o Eugénio Frois, António Lopes e Fernando Valle que nada fizeram por Coja e que agora estão a denegrir um homem que muito trabalhou para Coja”, referiu o deputado socialista, aludindo á carta, que foi distribuída por todos os deputados municipais e que se refere a Alfredo dos Santos Júnior. “É uma carta acintosa, desagradável, e apetece-me dar-lhe o arquivamento que tanto gosto, a algumas cartas que recebo, e colocá-la no lixo”, garantiu Frois. A missiva refere-se á Assembleia Municipal realizada em Abril, momento em que os três deputados socialistas se insurgiram pelo facto de ter sido atribuído o nome de Alfredo dos Santos Júnior a uma rua em Coja. Na ocasião, por exemplo, Fernando Valle declarou, que, “temos nas ruas de Coja, um assassino moral que nos desqualifica a todos os níveis enquanto cidadãos”, acrescentando ainda que, “o antigo executivo da Junta de Freguesia de Coja cometeu a ousadia de propor o nome de um dos autores morais do assassinato do General Humberto Delgado, para uma das ruas da vila de Coja”. Na altura, também o deputado do PCP, António João Lopes abordou o assunto, “protestando”, “pela designação que foi dada a uma rua em Coja, de um antigo elemento do Estado Novo, que durante o seu período de ministro foi responsável pela PIDE, pela morte de Humberto Delgado e mantendo em prisão centenas de trabalhadores e estudantes que espancou”. Subscrevendo as palavras do deputado comunista, Eugénio Frois, afirmou que “em Coja aquela figura não é grata”, dando a conhecer que “muitas pessoas me abordam para falar sobre isso, dizendo que não está bem e que essa atribuição não se coaduna com os nossos valores e vivências”. Na carta, o Cojense, refere que tomou conhecimento através da imprensa, “da polémica levantada por alguns deputados na Assembleia Municipal pelo nome de Alfredo Santos Júnior ter sido em 2013 atribuído justamente a uma rua de Coja”, confessando que como Cojense, “sinto-me profundamente envergonhado por terem escolhido para debate um tema, que ao contrário do que é afirmado orgulha de sobremaneira os Cojenses”. Alberto Tavares recordou ainda que, Alfredo dos Santos Júnior “foi durante muitos anos um distinto médico em Coja servindo toda esta vasta região, onde nessa ocasião as populações viviam mal”, acrescentando que “foi ainda um acérrimo defensor e dinamizador da cultura popular e musical ao serviço das gentes de Coja”. Por isso, afiançou, “não devem portanto Vossas Excelências iniciar qualquer processo que vise retirar a placa de onde está com o nome de Alfredo Santos Júnior”. “Seria que a gente que o fez eram estúpidos?”, indagou ainda, referindo-se a quem autorizou o nome daquela rua. “Todo o passado dos autores, até como verdadeiros democratas fala por si, e como cidadãos com obra feita muito superiores a Eugénio Frois, António Lopes e Fernando Valle, uma vez que disso, obra feita, não se podem orgulhar”, frisou. Já Luís Moura, presidente da União de Freguesias de Coja e Barril de Alva, não achou bem que esta carta fosse distribuída por todos os deputados que integram a Assembleia Municipal de Arganil, referindo que o que levou Avelino Pedroso, presidente daquele órgão deliberativo a distribuí-la “foi o conteúdo e os visados neste documento que vem muito jeito do momento que estamos a viver”. “Este assunto não é competência da Assembleia mas da Câmara, a Assembleia de Freguesia analisou este assunto, tomou as suas decisões em Abril passado e comunicou á Câmara Municipal aquilo que foram as suas deliberações”, adiantou ainda o autarca local, esclarecendo que se encontram “a aguardar a aprovação de uma acta para dar prosseguimento ao processo da toponímia da vila de Coja e pôr um ponto final neste processo que a todos envergonha”. Já Avelino Pedroso, presidente da Assembleia Municipal, apenas respondeu que “o procedimento que damos ao expediente passa por seguir um princípio de transparência”. Recorde-se ainda que em Abril passado, o presidente da Câmara Municipal de Arganil assegurou que “não há nenhum processo de atribuição de toponímia que esteja fechado e que seja imutável”, adiantando que “estamos abertos a poder discutir uma eventual alteração em matéria toponímica na vila de Coja”.